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24 janeiro 2012

O triste fim do pequeno Menino Ostra (Tim Burton)












Nas dunas ele fez o pedido,





Perto do mar se casaram,













Nove dias de lua-de-mel
Na Ilha de Capri passaram.









A ceia da primeira noite foi espetacular:
Um cozido de frutos do mar.
Enquanto ele comia um caranguejo,
Ela ia alimentando um desejo.







E o desejo virou realidade - ela teve
um bebê.
Mas era humano, o menino?
Bem, bem... isso não se sabe.










Das mãos, dos pés, os dedos eram dez,
Tinha tubos, tinha olhos, 
Podia ouvir e perceber.
Mas normal ele era?
Isso já não dá pra dizer.
Para os pais, uma praga, um desespero:
O começo de todos os pesadelos.














Com o doutor a mãe foi se queixar:
"Essa criança não é minha,
Pois cheira a oceano e alga marinha."





"Minha senhora, isso não é nada!
Uma menina de bico e três orelhas
Eu tratei na semana passada.
Por seu filho ser meio ostra,
Não adianta me culpar.
Quem sabe fosse o caso de comprar
Uma casinha à beira-mar..."
















Sem saber que nome lhe dariam,
Chamavam-no apenas de Francisco,
Ou por pura e simples antipatia:
"Aquilo que parece um marisco."




Mas da concha o Menino Ostra não sairia?
Era o que todos se perguntavam, dia após dia.




Já os quadrigêmeos Quadros, espiavam.
Gritavam "Um bivalve!", e se mandavam.















Numa tarde de verão
Chico foi esquecido sob um aguaceiro
Na avenida Oceano, ao lado do canteiro.
Ele lá ficou, observando os redemoinhos
Da água da chuva escorrendo pelo bueiro.




Enquanto isso a mãe, parada
Na beira duma auto-estrada,
Dava murros no voltante.
Era grande a sua aflição,
A dor cada vez mais forte
De toda a sua frustração.









"Sinceramente, meu querido, 
Não quero parecer chata,
Mas alguma coisa nessa história
Anda muito mal contada.
Noto o quanto você tem se esforçado,
É mesmo admirável que não tenha desistido,
Mas não venha me dizer que seus problemas
Na cama
São todos culpa do Francisco."



O pai passou pomadas, tentou unguentos,
Que fizeram tudo ficar vermelhento.
Também experimentou poções e loções
E até um preparado de erva brava.
Mas as coceiras, a dor, as contrações,
Os sangramentos só aumentavam.













O médico fez uma conjectura:
"A fonte não é de todo segura
Mas seu distúrbio pode ter cura.
Está quase provado: comer ostras
Propicia um desempenho sexual extra.
Talvez, devorar seu filho
Ajude a durar por horas e horas."




No quarto em que dormia Francisco
Ele foi entrando bem de mansinho.
A testa era só suor.
A mentira, ele sabia de cor.
"Você é feliz, filhinho meu?
Você já quis visitar o céu
Ou então ir pro Beleléu?"














Francisco deu duas piscadas
Mas não disse nem um ó.
Papai então, apalpando a faca,
Da gravata desfez o nó.



Foi um só golpe, um golpe só.
Com sangue do paletó, 
Ele pôs a concha junto aos lábios,
E foi assim que Chico lhe desceu goela abaixo.















Rápido, lhe enterraram os restos perto do mar.
Choraram uma horinha, 
Rezaram uma rezinha,
E bem rápido voltaram para o lar.



Uma cruz de galhos cinzas fincaram no local.
Escreveram na areia: "Jesus salvará".




Mas a primeira onda mais forte arrastou
Sua lembrança para o fundo do mar.













Já em casa, na cama quentinha,
Papai beija mamãe, se abraçam
De conchinha:
"Vem, meu bem, hoje estou com toda a 
adrenalina!"





"Ok", ela sussurra, "só que desta vez
 tem de ser uma menina."







12 comentários:

  1. Respostas
    1. Coitado do Menino Ostra. rs Adoro as ilustrações do Tim Burton. Abraço, Ana.

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  2. Respostas
    1. Bastante, Lucas. Curto muito Tim Burton. Bateu foi um medo, com esse troço da SOPA inda me meto em apuros por ter copiado a obra do homem. (riso) Um abraço e obrigado.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Que belo seu blog! As ilustrações são suas???

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    1. Oi, Maíra, obrigado. No caso desta postagem as ilustrações são do próprio Tim Burton. Só nas outras postagens as ilustrações são minhas, com exceção do layout, que foi desenhado por minha esposa. Abraço.

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  5. ai, tou louquinha pra comprar este livro...

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    1. Camila, como eu a entendo! (riso) Muito lindo o livro. Um abraço.

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  6. Eu gosto do "Garoto Múmia" e do "Breno, Garoto Veneno"... são os melhores, deste livro. O interessante é analisar a genialidade do Tim Burton, ao levantar perspectivas e reflexões completamente críticas em uma simplicidade aparentemente ingênua e infantil, que compõe suas rimas. Simplesmente genial. Sou uma eterna fã do Timothy!

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  7. Realmente triste... Penso nas pessoas ignorantes que fariam o mesmo se tivessem um filho com cabeça de ostra... Mas o conto em si e as ilustrações saídas da mente de Burton tornam esse triste conto em uma história genial!

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"Seja bem vindo quem vier por bem."