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03 novembro 2011

De Lá pra Cá

Hoje faz dois anos que vivo todos os dias, não o dia todo por impossibilidades da vida, com minha esposa, peguei o avião lá do outro lado do mundo, isto se você que lê é brasileiro, se for português foi desse lado mesmo, sete horas e meia de viagem, turbulência, odeio turbulência, também odeio aviões, teve de ser, clap, clap, clap, os passageiros aplaudiram quando o avião se imobilizou na pista, ainda penso, será que podia ter morrido naquele dia e nem dei por isso?, ou estariam eles aplaudindo meu recomeço, sei lá, talvez que misteriosamente eles o soubessem, a aeromoça, eu vi, falou no ouvido de todos eles, desci no aeroporto Augusto Severo, Natal, bem pertinho de Braga, acho que o fato de Natal ser dos pontos mais orientais do Brasil ajudou, fez com que me sentisse a dois passos de casa, ela me esperava do lado de lá do vidro com a prima, vestido xadrez lilás, rosa, linda, beijei minha mão, e colei-a junto dos seus lábios, polícia federal, passaporte, saí, beijo, abraço, pela frente toda uma vida, mas isso foi quando vim de verdade, malas carregadas, decidido, uns meses antes tinha vindo de férias, e foi aí, no regresso dessas férias que escrevi esse texto, poema, chamem como quiserem, não sou nada obstinado quanto à classificação do que escrevo, escrever a gente escreve e pronto, se é isto ou aquilo, que importa?, o que eu posso dizer é que faria tudo de novo, passaria as mesmas madrugadas conversando no MSN, as mesmas conversas no agora celular (há dois anos era telemóvel), as mesmas viagens, os mesmos sonhos, os mesmos planos, sabe aquela ideia, certeza, de que encontrou a pessoa, a "tal", como eu costumo dizer, foi o que senti há três, há dois, há um ano e sinto hoje, cada vez mais e mais... Esse texto escrevi em Portugal algures em meados de Maio depois de ter estado aqui (Brasil) de férias e coloco-o hoje, sei lá, porque faz sentido ser hoje. :)



Voltei de lá pra cá
Triste, amargurado
Meu coração não regressou
Ficou lá desse lado
Voltei de lá pra cá
Mas ainda me estranho
Meus pés ficaram na areia da praia
Meus olhos nos teus
Minha boca em teus lábios delicados
Tomara fossem meus!

Voltei de lá pra cá
É mentira que falo a todo mundo
No avião só houve lugar para meu corpo
O resto não deu pra carregar
Minha alma espera o ônibus na parada
Está ansiosa de buscar
Essa metade que falta
Dessa metade que sou eu
É em Panatis, é certo
Que ela vai achar

Ponta Negra Beach, Genipabú
Pipa, Redinha, Pirangi
Foi onde me senti completo
Onde me senti feliz
Agora qualquer lugar que vou
Qualquer lugar que estou
Não faz mais nexo
Em qualquer lugar que vou
Tu vais
Em qualquer lugar que estou
Tu também estás

Levo um fio de cabelo
Tua voz, o teu sorriso
O estalido do teu dedo
Levo o que for preciso
Reflexos e memórias
Tuas saias e vestidos
Levo um rol de histórias
E onde eu vou tu vais comigo



Cafona, né? O Amor é cafona, mas um cafona de tons coloridos, cheio de vida, lindo, gostoso de ser vivido... 






5 comentários:

  1. Cafona, mas lindo!
    Felicidades agora e sempre.

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  2. E eu bato palmas aqui! Acho lindo o amor e nem acho cafona! (:

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  3. AI MEU DEUS QUE COISA LINDA..QUEM DERA EU TER UM AMOR ASSIM PRA MIM SRSR te desejo maravilhosa sexta e um ótimo final de semana, beijos

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"Seja bem vindo quem vier por bem."