Páginas

26 junho 2014

O Mostrengo (V)

No lugar de ouvidos olhos
Só dois, na certa medida
De dar inveja aos zarolhos
Feliz e cheio de vida

O Mostrengo não era mais
O mostrengo que havia sido
Era agora por demais
Bonito e grande partido

Não eram as mãos de galinha
Nem quadrados os seus pés
Era todo fina linha
Perfeito, a valer por dez

Tinha conta na Suíça
Casacos ricos de pele
Um emprego na justiça
Promotor Pedro Fidele

Em todo lugar respeito
À sua figura tinham
Fosse arcebispo ou prefeito
Os distantes se avizinham

E procurou a moça, então
Filha do Major Belém
Não olvidava o coração
O quanto lhe queria bem

Chegado pois na cidade
Aprontaram a recebê-lo
Com tal cordialidade
Que, Deus meu, queria vê-lo

"Senhor Promotor, bem vindo
Muito nos honra a visita
O tempo não seja findo
Aqui estando, Mãe bendita!"

Todos fizeram jantares
Do mais célebre ao menor
E no meio desses andares
Veio convite do major

Aceitou, claro que sim
Era já muita a espera
À ânsia poria fim
Nossa, assim mesmo é que era

Na noite certa, na hora
Sentou com todos à mesa
Virgem, ai Nossa Senhora! 
É a moça, tem certeza?

Tomou sua face o horror
Pois amava uma mostrenga
"Não pode não Promotor
Namorar uma capenga

Pense bem, Senhor Doutor
Pro respeito é uma perda
É muito bonito o amor
Mas veja bem como é lerda"

Pensando isto se engasgou
E quase era ele finito
Oh, quando pôde zarpou
"Aqui não volto, está dito"

Caro leitor, um aviso
Tem mostrengo promotor
Que bem não age em juízo
E só quem perde é o amor 

(Fim)






Nenhum comentário:

Postar um comentário

"Seja bem vindo quem vier por bem."