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11 junho 2016

#Microcontointergaláctico

              Na Convenção Intergaláctica de 2833, um episódio sobre o amor:
           - Vejam! Esse daqui, sapiens sapiens sapiens, cegou. Sim, cegou. Completamente! Sua cegueira é tal que é incapaz de distinguir o belo do feio, o uniforme do disforme, o certo do errado. Vejam! Ademais, perdeu em 90% a audição. Não há quem o chame que escute. A não ser ela, Samanta. (mostrando uma fotografia da mesma) Argh, que nojo! (breve pausa) Desculpem. Só ela logra a sua atenção e apetite. Não come, entregou-se ao desânimo e ao ócio... É um inválido. Um inválido que age como um louco ensimesmado... Vejam!
           Aquele vulto atrás da grade era a sombra, sem dúvida, o resquício de um sapiens. Raquítico, trémulo, pálido, todo dentes... Um miserável. Vendo isso, Monsiú Rambot, que presidia a convenção, exclamou: "Soltem-no! É inofensivo". 
           Era-o, de fato. Depois de solto, a primeira coisa que fez, instintivamente, foi jogar-se no vazio.







14 abril 2016

#microcontointergaláctico

O pai, terráqueo, esbravejava: "Meu filho será nascido e registrado aqui. Será americano, como seu pai e avós". A mãe, extraterrestre, era indiferente ao local de nascimento da criança. Sabia que havia muito para além da América.


04 abril 2016

#microcontointergaláctico

- Ah!, diz-me, como faz amor um terráqueo?
O rapaz gesticulou, demonstrou uma dezena de posições, e a moça verde musgo concluiu:
- O amor humano é demasiado físico.


03 dezembro 2015

Microcontos intergalácticos II

      
I       
Nosso amor é ridículo, disse ela, entre um choro miudinho. O E.T. pegou sua mão e, fitando o horizonte, atirou: isso quer dizer que é de verdade.

II
Tentou dizer-lhe as coisas mais duras, que se fosse embora, não voltasse nunca mais, mas não conseguiu tecer senão um "amo-te".

III
O desfecho perfeito para o último dia do mundo não era cometer qualquer loucura, era aquele abraço.

IV
O mais que fez foi um aceno: adeus... E de quem mais se despedia era de si mesmo.

V
Mágico e indizível: um sorriso... O sorriso dela, puro e simples, era o tanto que precisava para se sentir feliz.

VI
Não entendeu o que era saudade até viver a milhares de anos luz daqueloutra alma.

VII
Sobre a porta, em letras gordas, anunciava: "vende-se cama de casal (como nova)".

VIII
Depois de tudo, ainda tinha que assinar o nome dele.

IX
Antes de partir, abraçou-o o mais forte que podia e disse: "Tu só tens amor para dar, ele tem uma vida melhor".