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12 novembro 2014

Absolutamente

Verdade absoluta: vejo aquilo que quero. O que não quero, meu senso filtra, esconde, minimiza. É irrelevante. Não perderei nunca o meu tempo com detalhes mínimos, com assuntos sobre os quais não me interesso, com pessoas que não me despertam... Retirai os marrons dos quadros da minha infância, as rimas interpoladas das quadras dos poetas de botequim... Retirai o "se", o "talvez" e o "a fim". Não há espaço para misericórdias. Sejamos conclusivos quanto baste. Orações condicionadas, hipotéticas ou teleológicas não me servem. Uso 40. Sou 40 de pé e de revólver. E só peço do justo o que é justo, e do cabível o que me cabe.
O mundo é dissonante!, queixais-vos. Foda-se a dissonância, os mesquinhos seres desordeiros, sua vida própria. Fodam-se as conjecturações, o acho e o penso que. Fodam-se as interpretações, as subjetividades idiotas. Foda-se! Foda-se!
Poupai-me as dúbias histórias de amor, as tentativas semi-trágicas de suicídio, os atos falhos, as meias verdades. Sou inteiro. Avesso a partes e metades, às divisões costumeiras. A matéria não é de formas meias. É de completudes, de preenchimento, de infartos.
Quero pores do sol definitivos, noturnas verves crônicas, teimosas, absolutas. Quero o silêncio todo, o estrondo completo... Toda a vida, o baque na sua totalidade. As nódoas negras, as maiores sejam as minhas. As dores sejam de fato. Odeio o gemido tímido, pequeno, sem vida. A vida só presta quando intensa. Intensa é de verdade. Absolutamente.

29 setembro 2014

Ocê

Esse amor qu´ocê me vota
não acabe amanhã;
Esse amor qu´ocê me tem
é o melhor que há;
Preciso dele, preciso d´ocê,
preciso do beijo, do abraço,
do riso e do cafuné.
Que será de minhas horas
sem seu calor e as histórias
que talha só pra mim?
Coloco em repeat as memórias,
saudade que não tem fim.
Fique aqui, fique aqui...
Quero viver,
Não viver do que vivi.


02 agosto 2014

Poema de meias ações

Essa mudez entre a gente
Esse fala e não fala
É meio impertinente
Meio revólver sem bala

Essa nudez entre a gente
Esse falo e não falo
É o meio convergente
Meio paz, meio abalo

Ai, esse papo da gente
Esse fá-lo ou não fá-lo
Fosse meio inconsequente
Seria meio o enfado






29 julho 2014

Poemeu de morrer de amor

De amor, só de amor, de amor é que me matas.
Morrer de amor não é castigo.
Não será mau destino, não.
Pior morte é a sem brilho,
Nos olhos e coração.

De amor, só de amor, de amor é que eu morro.
Sou só de amor ungido.
De amor não perco ocasião.
Melhor morrer muito desdigo,
Melhor morte é na paixão.

E quando eu já falecido
Me levares a sepultar
Saibas vou convencido:
Se vivi foi por amar.

Soltes tu em estribilho:
Amou demais o meu marido,
Amei demais o meu marido.

23 fevereiro 2014

Quem não sabe é você

Eu vou ter que confessar
Não estou aguentando mais
Vou ter que te falar
São tantos os sinais

Meus amigos troçam
Não disfarço, é amor
E quando eu te vejo
Falam mudo até de cor

Nao posso ficar triste
A causa é você
Não posso ser feliz
É tudo bem querer

Quando eu rio à toa
Eles riem muito mais
Falam sabem a pessoa
Que eu quero demais

E quando o outro sabe
O que você não sabe dizer
Acredite, é verdade
Quem não sabe é você

Vem, vamos colar os corações
Correr na direção
Contrária das desilusões
Juntar as roupas e as escovas
Juntar boas e más horas
Curtir invernos e verões
Queimar a língua da sogra

Vem, vamos fazer um afago
No outro quando chora
Tomar banho de chuva
Correr na grama pelado
Se amar na cara dura
Vamos juntar serões
Compassar os corações
Não tem como ser errado

Não deixemos pra depois
Depois o agora é passado
Nós somos só mais dois
Com resultado combinado



20 fevereiro 2014

Meu lema

Você vai quando quiser
Você que inventou de ser minha mulher
Você vai na hora que for
Você que inventou esse negócio de amor

Meu lema
É não inventar problema
É em nada intervir
Meu lema é sentir

Você volte quando quiser
Será breve, tenho fé
Será breve, tenho fé

Você traga um tantinho de amor
Só pra fazer calor
Só pra fazer calor

Meu lema
É não inventar problema
É em nada intervir
Meu lema é sentir



Nem ai nem menos

Meu país tem pessoas tristes
Como em outros lugares mais
Mas dizem uns infelizes
São mais tristes que as demais

Eu não acredito

Contar de nossas dores
A modos de passar o tempo
É tão astuto quanto legítimo

E se não falássemos das dores
Falaríamos de que mais?

Português que se preze tem artrite
Úlceras e coisas que tais
Reumatismo, neurose, diverticulite
Tem garbo e orgulho nos seus ais

Português que se preze finge
Como fingido era o poeta de Pessoa
É sério, tenso, pétreo como esfinge
A alma perambulando à toa



17 fevereiro 2014

Noites da minha vida

1. Noite de Verão

Na noite de Verão cresce
O embalo das alegres horas da vida
E um amor- quem o não teve?-
Nas meias-noites de estrelas
Razão levada de vencida?

Noite de Verão é soneto
Os corpos dos amantes tecem a rima


2. Noite de Inverno

Noite de Inverno, ninguém te escreve
E és tão noite e anoiteces
Quanto as outras noites
Sendo noites anoiteceram

Noite de Inverno,  falta aconchego
O frio é mais que térreo
É de mim mesmo

Noite de Inverno,  que anoiteces
E és tão noite
Quanto as outras eram
Foi em mim que anoiteceste




14 fevereiro 2014

Outro poema objetivo

Tem hora que a coisa É
E é tão somente que apenas É
Sem pretensão outra que não ser
Tão somente o que É

Nada mais tem a ver
O que se limita em ser

A abstração é do sujeito
Do objeto o proveito
Que o homem teimou em querer

Que considerações bestas essas
Que a tudo dão outras certezas!
Repare bem, o meu poema
É apenas

E não o é menos...




13 fevereiro 2014

Despedida

A gota no vidro é o amor sendo conciso
A última chuva de meu ser se exaurindo
Foi bom... No tanto do tanto que era pra ser
Mas partamos! Mais na frente tem paletas de cores
- Não só cinzas- narcisismo policromático
Afinal, ninguém ama no tanto que eu tanto amo






05 fevereiro 2014

03 fevereiro 2014

In & out

Esse poema é poema
Nasceu poema sem adjetivo
Esse poema é o poema
Pseudo-prático-objetivo
Esse poema é in
Insípido, inodoro, incolor
Esse poema out
Não sabe nada de amor

E eu te amo



23 dezembro 2013

Poemeu de Natal



Sorriso doído é esse
No presépio natalino
Papai Noel confundiu o pedido

"Coitado, é bem velhinho!
É esquecido,  menino...
Mas esse também não é lindo?"

Eu, criança, calava
Falar pra quê?
Nasci com essa certeza doída
De que a palavra não muda nada

O silêncio, esse é que mudava
Esse é que me dizia pouco depois:
Tem certeza que não era esse que você queria?

Papai Noel acertou sempre
Às vezes, eu é que não acertava no pedido



15 dezembro 2013

Poema de estante

Tenho muitos livros
Pra ler
Histórias que nem são minhas
Meu é o ócio
Oh, pecado gostoso!
Deles o pó,  a vaidade de os ter...
Lê-los? Pra quê?
Já em mim vive tanta gente
Bons, maus, magros, doidos...
Gordos? Ah, os gordos!
Odeio os gordos
Pagaram uma entrada
E ocupam o lugar que era pra dois
A prateleira é pequena
Sem lugar pra amor
A vida impõe o riso
O pensamento sem graça,  non sense
Humor
Cordel, Woody Allen, tirinha
Mais de mim, por favor

Se me permitem...
(Ora, se me permitem!
Quem manda é o escritor!)
Só um adendo:
Minha mulher falou
"Poupa, por favor, os gordinhos...
Olha os judeus... Odeia os judeus!"






05 dezembro 2013

Poemeu pra fim de papo

Às vezes, as coisas sabem-me só e se animam
Recuo, coloco os fones nos ouvidos
"Antes sozinho, antes sozinho", repito

Conversa de geladeira é fria
De microondas, hot
Dos talheres o papo é sujo, do sofá, desinibido

Vade retro, particípio
Amado, hoje esse é meu princípio


03 dezembro 2013

Poema de uma desmesura




O amor me dás à míngua
Amor pouco, racionado
O amor só me serve farto
Só o quero desmesurado

O amor, por favor, não tarde
Que de amor meu ser carece
“Vem, solícito e grosseiro
Como peço sempre em prece”

Oh, para seus modos brandos
Ficam parcos elogios
Acalmam-me, amor, me aquecem
Não tanto como os bravios

Trá-lo sem uma medida
Sem valores e sem prazos
Trá-lo sem forma ou receita
Trá-lo breve, sem atrasos

E não digas “hoje não”
Que a cozedura é fácil
Uma mão um tanto carente
O resto, produto tátil



23 novembro 2013

Poema vira-lata



Meia-noite
Brigam cachorros na rua
É o carro do lixo, meu bem

O melhor amigo do homem
Se amarra num detrito
Osso, dejeto alheio
E na gente -
Isso é o mais esquisito

Um ser humano sincero
Como eu quando tomo um drink
Não vai nesse apetite
De se achar amor de alguém

Que queres é dúvida costumeira
O mundo é interesseiro
E o cachorro dispensar minha tíbia
É coisa de rafeiro

19 novembro 2013

Poema pouco objetivo



Que saco essa subjetividade
De quem me chama subjetivo
Não sei a intencionalidade
De me dar um objetivo

Falam sou intencionado
Passo logo do aperitivo
E eu de mim nem sei que quero
Não querer nada é permitido?

Chegue-me essa cesta básica
Um litro de compreensividade
Chegue logo vela e cura
Por favor, faça a bondade

Você que sabe meu caminho
Pra que lado a hospitalidade?
Desvie-me do meio-fio
Da meia-vida sem vontade

Eu vou ficar na sua cabeça
Lhe falando uma vez ou outra
Se você não se fizer muito
A vida acaba sendo pouca

Por favor, me obedeça
Preserve nossa amizade
Não coma pizza em dia de chuva
Não faça conta no fim da tarde