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14 dezembro 2012

29 junho 2012

Uma espécie de apresentação para Curto-Poema

     Quem acompanha o blog sabe que volta e meia publico poemas curtos, poemínimos (chamem como quiserem), a que costumo chamar de curto-poema, até pela dupla significância do termo. O que nunca disse é que esses poeminhas são parte de um livro (ainda não publicado; quiçá um dia), que venho organizando. E com esse intuito, o de fazer com que minhas breves poesias tomem a forma de um livro, escrevi há tempos aquilo a que chamo "uma espécie de apresentação para curto-poema". Curtam!


Uma espécie de apresentação para Curto-Poema

No início do mundo
Nasceu a pergunta
Assim se dá
O início de tudo?

No início do mundo
Não havia mundo
Só um vazio profundo
O grande nada absoluto

Flores abertas em flor
bosques plenos
Areias e mares
Ondas em compassado tempo
Céus mornos
Chapiscados de estrelas

Criação malvada
Homem, mulher
Não tardou nada

E a dúvida, o pensamento
Nasceram de onde? 
De onde nasceram?
Foi da cabeça?

Maçã cinzenta

Jorram cores
Caixa pequena

Foi da cabeça
Meu tormento

Peca, Eva
Peca

Come a serpente

Pior pecado é o dele
Em tua boca fez ninho
Doce alcova da fome

E vós
Eva, Adão

Filhos de Moisés
Pilatos, Ramsés

Súditos da morte
Sois Maiores que Deus

Inventores de lápis
Arautos da 
Maior invenção

Prazer excelso

Exaltai!

Meu Deus, meus Deus
Clamai
Todos o dizem
Miserável esconjuro
Eu tenho capricho
Fincadamente o juro
O meu não o partilho

É pequeno
Doce, melancólico
Sereno
Tão pequeno que é
O levo aqui dentro

E uma hora se ergue
E se anima
E uma hora tomba num baque

É descrente

Meu espelho não o mostra
Não sabe de si mesmo

Oh, mísero Deus,
Pobre terreno
Tua parábola
É o desassossego

Saibas morrer ao menos
Em teu tempo
Na curva do antigo
Para o moderno

Retrato impressionista,
Lusco-fusco
Obsoleto

Silêncio! 

Doce veneno
Ávida Cicuta 

A morte do tempo
Não é tua
Minha culpa

Desígnio supremo

Oh, sombras fúteis
D'almas de gente
O destino não é pra trás
É pra frente

E um passo dado
No escuro
Dá sempre um pisão 
Adiante
Adiante no futuro

Segui meus dogmas
Ceticismos
Mal enjambrados pensamentos
Pelo passeio
Passo resumido
Lento
O Mar hoje tem mau vento

Umas vezes serei eu
Outras serei vós mesmos 





23 junho 2012

Curto-Poema


Uma pergunta
O mar sempre faz
Pra frente? Pra trás? 
Indeciso balanço
Minha pele salgando
Uma dúvida 
Certeira, onipresente
Pra lá, pra cá
Baile incerto
Têm todos
De quando em vez






19 junho 2012

Verbo

Estar
É verbo forte
Persuasivo quanto baste
Eu que não estou
Em parte alguma
Me julgo estando
Em alguma parte




18 abril 2012

Curto-Poema (da minha poesia)

Minha poesia faz amor
Enlevada se deita
Papel branco acolhendo
"deite, por favor"

Massagem leve, serena
Polegar, indicador
Me faz ela no peito
Tum-tum , tum-tum
Que bom que é, Senhor!...







22 março 2012

Corto-Poema

X

                                  Mi abuelo fue a la guerra 
Viejo, muy viejo 
Rifle en la mano 
De allá escapó de la tierra 
Expósito la ocasión 
Donde vive actualmente 
Dios me dijo 
La lluvia no moja 
Hace calor, es sólo en el verano





20 fevereiro 2012

curto-poema #x

Piripake morreu sozinho e cego,
não de um olho, mas dos dois, 
e lá na terra, diz o povo, 
coitado, morreu cedo-
pôs o carro na frente dos bois.